Quem tem medo de juros? Metade dos consumidores não sabe quanto pagam de taxas
Ainda de acordo com o SPC Brasil, 40% desse percentual tem mais medo de juros do que do risco de clonagem do cartão de crédito
Ainda de acordo com o SPC Brasil, 40% desse percentual tem mais medo de juros do que do risco de clonagem do cartão de crédito
Ainda que tenha muita gente que não repare bem o acréscimo mês a mês que aparece na fatura do cartão em atraso, em um ano, um débito que era de R$ 500 pode significar R$ 1.750 mil pagos só de juros. Valor, que se estivesse rendendo em algum lugar, seria um bom ‘pé de meia’. É só o consumidor fazer as contas levando em consideração uma taxa média de 13,25% (mensal) para sentir o drama. Segundo um levantamento recente feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), pelo menos 59% dos consumidores não sabem o valor que foi cobrado de juros nas contas pagas em atraso. No geral, 11% estão atualmente com alguma parcela em atraso. Ainda que não tenha muita noção sobre qual o peso desse juro no bolso, 40% dos entrevistados tem medo do percentual que é cobrado, sobretudo, pelo cartão de crédito só perdendo para risco de clonagem do cartão (31%) e de compras impulsivas (27%).
“Falta analisar a fatura conferir o que foi gasto com cada coisa. Para fugir dos juros é preciso ter consciência de quanto se paga por ele”, afirma o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli. “Quando você passa a multiplica o quanto perdeu com isso, fica mais cauteloso”, acrescenta.
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A explicação está encarecimento do crédito. De acordo com o último levantamento realizado pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), ainda que a expectativa de que a taxa básica de juros (Selic) - que hoje está em 10,25% - caia mais um ponto percentual, o alto volume de inadimplência segue elevando o valor do crédito. Linhas como o cartão de crédito e o cheque especial voltaram a apresentar alta de 13,46% e 12,33%, respectivamente. No caso do cartão, a taxa do mês de junho é a maior desde abril (14,21%).
“As taxas tinham apresentado uma leve queda, mas subiram por conta da inadimplência no período. Tudo isso somado a conjuntura econômica faz com que o crédito fique mais caro. O risco do banco responde por 32% da composição do custo da linha de crédito”, destaca Oliveira.
Lição dura
A ajudante de suprimento, Gabriela Vieira, só se deu conta da pancada quando deixou de pagar o valor integral da fatura e viu a dívida de R$ 500 pular para R$ 956. Após fazer o acordo com o banco, não teve alívio: a dívida praticamente dobrou. “Me deixou traumatizada. Não quero mais saber de dever a cartão. Agora só gasto o essencial”.
Depois de um ano, ela terminou de pagar o acordo e voltou a usar o cartão. “Assim que fecha a fatura, pago logo para não ter que passar de novo por isso. A gente tem cartão porque precisa só que não gasto mais do que eu posso pagar, porque antes eu não tinha essa noção”, afirma.
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